Na história da Igreja Cristã a difusão
da mensagem do Evangelho esteve relacionada com os fluxos econômicos de
cada época. As doutrinas cristãs e heresias anticristãs seguiam as rotas
comerciais para a expansão de sua mensagem pelo mundo. Não era à toa
que o apóstolo Paulo tinha um forte desejo de pregar a mensagem do
Evangelho em Roma (Rm 1.15), a capital do maior império da época. É fato
que, para o bem e para o mal, o cristianismo passou tempos ligado a
Roma.
Nos últimos séculos a história se
repetiu. A grande Inglaterra do século XIX enviou milhares de
missionários pelo mundo. Os Estados Unidos, já no século XX, tomou dos
ingleses o título de nação mais poderosa e, também, a posição como
celeiro missionário. Ainda hoje a igreja evangélica norte-americana é
agente influenciadora em tendências benignas e de modismos para o
cristianismo mundial.
É inegável a ligação de grandeza
econômica e expansão missionária. E aí nasce a nossa responsabilidade,
como brasileiros, sobre o papel que vamos desempenhar no mundo como
igreja evangelística e exportadora de tendências teológicas. O Brasil
cresce em importância econômica perante o mundo e na mesma proporção
cresce a responsabilidade de Igreja Brasileira no seu papel missionário.
As tendências econômicas do Brasil
O Brasil é um país de renda média, ou seja, a nossa renda per capita (a
riqueza de toda a nação dividida igualmente para cada habitante) não
passa dos 13 mil dólares. É muito pouco quando você compara com nações
ricas como Estados Unidos (46 mil dólares), Alemanha (40 mil dólares),
Espanha (30 mil dólares) ou emergentes como a Coreia do Sul (20 mil
dólares).
Comparando renda per capita brasileira
com os principais emergentes, assim o país fica numa posição melhor:
Brasil (13 mil dólares), Rússia (11 mil dólares), China (5 mil dólares) e
Índia (1,5 mil dólares). Entre os emergentes o quadro brasileiro é
positivo, mas entre os ricos ainda é muito negativo. A renda per capita é o melhor indicador para avaliar o bem-estar de uma população. Se o Brasil crescer 3,5% em média nos próximos anos a renda per capita dobrará em duas décadas, ou seja, somente na década de 2030 a renda será equivalente a da Espanha de hoje.
Portanto, um grande PIB (Produto Interno
Bruto) não é necessariamente garantia de bem estar. A China é a segunda
nação mais rica do mundo, porém a sua população é tão grande que um
morador do Suriname ou Peru vive em melhores condições. Agora, o grande
PIB já garante grandeza geopolítica e influência econômica em todo o
mundo. Se o Suriname sofre uma crise bancária nada acontecerá no mundo,
mas se uma bolha de crédito estoura na China o
mundo praticamente desaba.
No quesito PIB o Brasil tem projeções
positivas. Veja abaixo o quadro que reflete projeções do FMI (Fundo
Monetário Internacional) e da Economist Intelligence Unit, empresa de análise do grupo que produz a maior revista de economia do mundo, a inglesa The Economist.
|
PIB em:
|
2020
|
2030
|
|
1
|
Estados Unidos
|
Estados Unidos
|
|
2
|
China
|
China
|
|
3
|
Japão
|
Índia
|
|
4
|
Índia
|
Brasil
|
|
5
|
Brasil
|
Japão
|
|
6
|
Alemanha
|
Alemanha
|
Segundo projeções o Brasil será a quarta maior economia do mundo na década de 2030, mas como afirmei no início, com uma renda per capita equivalente
da Espanha de 2011. Os dados não permitem os ufanismos tradicionais dos
governantes, mas mostra que o país ganhará cada vez mais importância
geopolítica e econômica. O Brasil será chamado à mesa em organismos
internacionais e, talvez, possa ganhar uma cadeira permanente no
Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
E o papel missionário do Brasil?
Com uma igreja crescente e uma economia
mais forte aumenta a responsabilidade do Brasil como agente missionário.
Os Estados Unidos continuam (e continuarão por muito tempo) como o país
que mais envia missionários pelo mundo. Na Ásia há dois países que
enviam muitos missionários, sendo a Coreia do Sul e a Índia. É
interessante observar que os missionários indianos normalmente trabalham
entre povos não alcançados dentro do próprio país.
O Brasil já é um país que envia muitos
missionários, mas pelo tamanho da Igreja Evangélica Brasileira poderia
enviar muito mais. Há projeções otimistas que desenham que metade da
população brasileira será evangélica já na década de 2020. Um igreja
grande em quantidade (em qualidade é outra história) e que se vê em um
novo papel diante do mundo.
| Um país mais rico com uma grande população evangélica. Celeiro? |
Com a crescente importância econômica
do país algumas janelas para divulgação do Evangelho já se abriram, como
a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Algumas igrejas já
estão desenvolvendo estratégias evangelísticas para esses eventos.O
Brasil também começa a atrair um número crescente de estrangeiros, sejam
aqueles vindos da Europa e Estados Unidos para trabalharem em
multinacionais ou aqueles vindos de países mais pobres (Bolívia, Peru,
Paraguai, Haiti etc.) para trabalharem na construção civil e no comércio
ambulante. Os estrangeiros que escolhem o Brasil para morar formam um
importante grupo para ser evangelizado. Já há igrejas em São Paulo
visando à evangelização de bolivianos, onde a própria liderança é
advinda do país sul-americano.
O Brasil cresce sem tendências imperialistas, como a China tem feito
na África, por exemplo. Isso beneficia o Brasil, já que a imagem entre
diversos povos é positiva. Além disso, o Brasil não participa de guerra
há muitos anos e não possui conflitos étnicos ou religiosos. O “homem
cordial” brasileiro faz com que a imagem dos missionários não seja
confundida com “agentes estrangeiros opressores”. Os americanos, por
exemplo, muitas vezes tiveram dificuldades de evangelizar na América
Latina (principalmente os países de língua espanhola) pela forte
tendência antiamericana desses países. É claro que a crescente
influência econômica do Brasil pode despertar sentimentos
“antibrasileiros”, especialmente em países latino-americanos, mas nada
tão sério como aconteceu (e acontece) com os norte-americanos.
A revista The Economist destacou em uma matéria no final de 2009 que o Brasil e os Estados Unidos apresentavam algumas semelhanças (leia a matéria aqui), entre elas de serem duas grandes economias com fortes tendências evangélicas. Será bom para o Brasil quando este imitar o ímpeto missionário da igreja norte-americana.
Que o futuro (que sempre a Deus pertence) seja já trabalhado no presente pela Igreja Evangélica Brasileira.
A revista The Economist destacou em uma matéria no final de 2009 que o Brasil e os Estados Unidos apresentavam algumas semelhanças (leia a matéria aqui), entre elas de serem duas grandes economias com fortes tendências evangélicas. Será bom para o Brasil quando este imitar o ímpeto missionário da igreja norte-americana.
Que o futuro (que sempre a Deus pertence) seja já trabalhado no presente pela Igreja Evangélica Brasileira.


Só aceitaremos comentários com identificação, sem ofensas ou palavrões.