
Fenômeno teve início no Caribe, atingindo Cuba, Jamaica e Haiti.
Serviço climático disse que tempestade deve entrar para livro dos recordes. O furacão Sandy, que tocou a Costa Leste dos Estados Unidos nesta
segunda-feira (29) e que já matou pelo menos 15 pessoas no país e uma no
Canadá, se aproximou da região continental norte-americana classificado
como furacão de categoria 1, tendo sido "rebaixado" para ciclone
extra-tropical assim que tocou o solo -- o que não retirou seu poder
destrutivo.
O fenômeno teve origem na região do Caribe e, antes de castigar os EUA,
afetou áreas da Jamaica, de Cuba e do Haiti, provocando ao menos 67
mortes.
Mas como nasce um furacão e como funciona sua categorização? O
meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia
(Inmet), explica que o fenômeno climático é resultado da combinação de
alta temperatura na superfície do oceano, elevada quantidade de chuvas e
queda da pressão do ar (sistema que favorece uma subida mais rápida do
ar e uma constante evaporação da água do mar).
"Esse sistema costuma se formar em áreas próximas à Linha do Equador.
Sem ventos inicialmente, o calor do oceano (2 ºC a 3 ºC acima do normal)
provoca uma evaporação rápida da água, formação de nuvens e de chuva.
Com a precipitação, a temperatura ao redor da nuvem aquece e provoca uma
queda da pressão atmosférica na superfície do mar. Na prática, isso
provoca ventos favoráveis à formação de chuva", disse.
Ele explica ainda que, com a queda da pressão do ar, os ventos se
intensificam e começam a se movimentar no oceano (em espiral), podendo
atingir o continente.
Imagem de satélite mostra Sandy sobre a Costa Leste dos EUA nesta terça-feira (30) (Foto: AP)
Categorias de furacões
De acordo com a Administração Nacional dos Oceanos e da Atmosfera
(NOAA, na tradução do inglês), instituto do governo dos EUA responsável
pelo monitoramento climático, a temporada de furacões no Oceano
Atlântico em 2012 teve início em 1º de junho e deve se encerrar em 30 de
novembro. O fenômeno Sandy é o 10º furacão na região e a 18ª tempestade
tropical do ano.
Os furacões se dividem em cinco categorias de força pela escala
Saffir-Simpson. Fenômenos classificados na categoria 1 têm ventos de até
152 km/h. Tempestades com ventos entre 153 km/h e 176 km/h estão na
categoria 2.
Furacões com ventos entre 177 km/h e 207 km/h são classificados na
categoria 3. Foram classificados neste patamar os fenômenos Katrina, que
devastou Nova Orleans em 2005, e matou 1.700 pessoas, e Glória, que
1985 atingiu a região da Carolina do Norte e Nova York e causou oito
mortes.
Na categoria 4, os ventos têm velocidade entre 209 km e 250 km. Já os
furacões classificados na categoria 5 são aqueles que registram ventos
com velocidade acima de 251 km/h, de acordo com o meteorologista do
Inmet.
Mudanças no caminho
O furacão Sandy perdeu sua força ao tocar o solo na região de Nova
Jersey na noite desta segunda-feira (29) e foi reclassificado como
tempestade extra-tropical. Schneider afirma que, apesar da mudança do
nome, a potência do fenômeno climático continua destrutiva, já que a
velocidade dos ventos pode variar entre 63 e 117 km/h.
“Sua força foi reduzida porque perdeu o contato direto com a água
quente do oceano, considerada o principal combustível para o furacão.
Mas ao entrar em contato com o continente, encontrou temperaturas mais
frias e se reorganizou como um ciclone extratropical, que segue rota da
área sul da Costa Leste para a área norte do país”, disse.
Boletim divulgado às 5h (horário de Brasília) pela NOAA, apontava que
os ventos na região do estado da Pensilvânia estavam em 105 km/h. Já a
quantidade de chuva causada pelo furacão era de 295,15 mm na cidade de
Wildwood Crest, no estado de Nova Jersey.
Relação com o aquecimento global?
O meteorologista disse que a formação de furacões na região do
Atlântico Norte tem a ver com uma variabilidade natural da temperatura
do oceano, que sofre alterações a cada período de aproximadamente 50
anos.
Schneider afirma que desde 1995 há registro de elevação da temperatura
da água do oceano em uma área que compreende o litoral do Nordeste do
Brasil, a região do Caribe (na América Central) até próximo à
Groenlândia – compreendendo a Costa Leste dos Estados Unidos. “Não é
nada fora do comum, é uma consequência direta dessa elevação natural”,
disse.
Pesquisa divulgada neste mês na revista da Academia Nacional de
Ciências dos EUA, a "PNAS", sugere que tempestades tropicais de grande
porte podem ocorrer em períodos espaçados entre 10 anos e 30 anos. Os
cientistas temem que a contínua elevação da temperatura global possa
acentuar ainda mais o número de eventos extremos pelo planeta.
29 de outubro - Skyline de Manhattan sob blecaute durante passagem de Sandy (Foto: Reuters)
Para o livro dos recordes
Christopher Vaccaro, porta-voz da NOAA, disse ao G1
que uma possível conexão do furacão Sandy com a mudança climática será
foco de pesquisas futuras de cientistas da instituição. No entanto ele
afirma que o tamanho e a força desta tempestade são bem inesperados para
essa parte dos Estados Unidos.
“O alcance e a abrangência dos impactos desta tempestade, que vão de
inundações costeiras a nevascas em regiões montanhosas vão colocar essa
tempestade no livro dos recordes”, explicou o porta-voz do Serviço
Nacional do Clima dos Estados Unidos ao G1.
Fonte:G1 Via: www.PortalValeGospel.com
Imagem de satélite mostra Sandy sobre a Costa Leste dos EUA nesta terça-feira (30) (Foto: AP)
29 de outubro - Skyline de Manhattan sob blecaute durante passagem de Sandy (Foto: Reuters)
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