
O escultor Lêdo Ivo está encaminhando processo contra o vereador Osinaldo Souza devido às colocações do edil sobre sua obra. Osinaldo afirmou que Iemanjá não é cultura e caracterizou a obra como pacto com o Demônio.
“Já
tenho toda a documentação necessária, já conversei com meu advogado.
[...] Eu quero que ele se explique em juízo como é que ele associa o meu
trabalho ao demônio. Ele vai ter que se explicar a não ser que o juiz
não queira ouví-lo. Eu já tenho documento que prove que ele disse as
ironias dele e a blasfêmias contra mim, a calúnia que ele fez contra
mim, ele vai ter que responder em juízo, salvo se ele me apresentar o
atestado de histeria assinado por um psiquiatra, eu considero ele como
doido e perdoo obviamente”, afirmou muito chateado com a postura do
edil.
Após
sessão Sessão na Câmara de Vereadores nesta terça-feira (02), Ivo diz
que aguardava ao menos uma reparação de Osinaldo. “Pelo menos que ele se
retratasse com a relação com o demônio. Eu não conheço o demônio, eu
nunca vi o demônio, eu não trabalho com o demônio, não sei o que é
demônio, se ele sabe ele tem que se explicar. Ele saiu da função
prestigiosa que é a de um vereador para a função de exorcista que é
muito mais complicado, muito mais absurdo. Quem é exorcista vê demônios,
reconhece demônios, sabe identificar”.
Mais
uma vez Lêdo Ivo explica o teor de sua obra à imprensa, diz que
produziu a Mãe d’água para representar uma das várias lendas ribeirinhas
e rebate afirmação de que a estátua se refere a Iemanjá. “Eu sou um
artista, vivo de exclusividade, de ideias novas. Iemanjá já está
representada em Salvador da Bahia, lá em Itapoã. Eu não ia fazer uma
réplica em Petrolina porque Petrolina não merece. Eu fiz ‘é uma ideia
nova’, e também a Mãe d’água está retratada no ofício de turismo da
EMPETUR [Empresa de Turismo de Pernambuco] várias e várias vezes. É uma
lenda, uma fábula, uma invenção humana, a gente é assim, inventa essas
histórias. São verídicas? Provavelmente não, mas são nossas, nós
contamos, nós gostamos, nós inventamos, nós recriamos, as crianças
adoram, é recreativa, é educativa.”
Vereador se defende
Ciente
de que o seu pronunciamento atingiu as religiões afro-brasileiras, o
vereador se defende e diz que não retira uma palavra do que disse: “eu
não sou intolerante religioso, não estou desrespeitando a religião de
ninguém. Esse país tem liberdade de expressão e vocês são da imprensa.
Todo mundo deve ter liberdade de falar o que pensa. Agora, se as pessoas
querem ter direito e querem dizer que o vereador, que tem a
inviolabilidade da palavra não pode falar o que a sociedade pensa... Eu
estou dizendo não só o que eu penso, mas o que muitas pessoas e a
maioria dessa cidade pensa. Então, não venha dizer que eu sou
intolerante não, por que se eu sou intolerante a maioria dessa cidade
é”.
De
acordo com o artigo 20 da Lei do Crime Racial 7716/89 quem praticar,
induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional, poderá cumprir pena de reclusão de um a
três anos e multa.
Se,
além da ação encaminhada pelo escultor, a Associação Espírita e de
Cultos Afro-brasileiros, por meio de seus representantes, decida
protocolar uma ação contra as afirmações de Osinaldo, a situação do
vereador não ficará nada boa.
Texto e fotos: Naiara Soares

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