Ser diferente para fazer diferença

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Ser diferente para fazer diferença: essa é a essência e a expressão da vida
do crente em Jesus. Todavia, isso sempre ofereceu motivos de sobra para o
mundo estranhar, seja pelo comportamento diferenciado do crente ou por suas
afirmações verbais a respeito da certeza de salvação eterna.

Não é à toa que as pessoas se indignam quando um crente se diz “salvo”.
Também, é surpreendente o incômodo que a presença de uma pessoa fiel a Jesus
causa nos ambientes que frequenta. Se um grupo costuma falar obscenidades,
se cala ou muda de assunto à chegada do crente, mesmo que este não diga
palavra alguma. Talvez você pergunte: “Por que isso ocorre?”.

Primeiramente, penso que a causa são as perspectivas que o cristianismo
oferece, principalmente uma sólida base para a dignidade humana. Como fomos
criados à imagem e semelhança de Deus, refletimos o caráter da Fonte do
Universo e temos um destino eterno. Entendemos que não há hierarquia
espiritual para chegarmos a Deus, pois todos somos iguais perante Ele e
merecemos ser tratados com dignidade.

Cristo também oferece senso de significado e propósito, pois somos de Deus,
Nele existimos e nos movemos, para Ele vivemos e Ele mesmo habita em nós,
pois somos “templo do Espírito Santo”. Como Jesus é Fiel e nos afirmou que
somos salvos ao crermos em Seu nome, temos, por isso, um forte senso de
segurança sobre o nosso destino eterno, pois Ele também prometeu que viria
nos buscar para estarmos para sempre na Sua presença (Jo 14.3; 1 Ts 4.17).

Segundo, isto decorre, igualmente, do que Cristo espera de nós e de como, em
função disso, respondemos aos seus ensinamentos. Jesus afirmou: “Vós sois
sal da terra e luz do mundo”. Isto é algo do qual não se pode fugir, pois
integra a natureza do crente. A ordem colocada por Jesus, de ser primeiro
sal e depois luz, tem uma razão de ser. O sal fala do que somos; a luz, do
que fazemos. Uma coisa sem a outra é a sua própria negativa.

Como o sal é diferente do material sobre o qual é aplicado, o crente em
Jesus tem de ser diferente das pessoas do mundo. Como uma pequena quantidade
de sal faz uma enorme diferença, um único crente pode também fazê-lo.

O mundo é essencialmente pecaminoso e mau, semelhante a um pedaço de carne
que tende à putrefação. Assim, a ação do sal é ser um anti-séptico,
transmissor de vida, saúde e preservação, como impedimento da atuação dos
agentes que favorecem a putrefação. Além disso, o sal dá sabor.

Sem a presença de Cristo no crente, e deste no mundo, a vida inteira
perderia o sabor. As pessoas do mundo buscam sofregamente os prazeres
pecaminosos, mas ao mesmo tempo sentem que a vida é enfadonha, sem sentido e
sem graça. O crente, ao contrário, pela sua fé em Cristo, carrega em seu
coração a Fonte da vida, não precisa do pecado para ter prazer e sentir-se
alegre.

A despeito de todo o conhecimento científico acumulado, o mundo não se
tornou mais “iluminado”; antes, suas trevas continuam cada vez mais
espessas. Por isso precisa da luz que emana de Jesus e é refletida a partir
de cada crente. O primeiro efeito da luz é dissipar as trevas. A presença do
crente, portanto, faz as pessoas tomarem consciência das trevas espirituais
em que se encontram.

A luz também explica as causas das trevas. O crente, ao viver como luz,
deixa patente o quanto as pessoas estão distantes e alienadas de Deus. Assim
como a luz é inevitável, o crente, por viver uma vida “diferente”, não pode
deixar de ser notado, pois “não se pode esconder a cidade edificada sobre um
monte”.

Como sal da terra, o crente exerce uma influência de aspecto geral,
englobando a vida toda, pois o seu modo de viver contrasta, por sua
excelência, a influência do mal. É uma ação “controladora”, no sentido de
que preserva e dá sabor.

Como luz, sua influência é mais específica. Quando as pessoas virem que há
“algo diferente” no crente, então quererão saber a razão disso. Desse modo,
o crente pode se destacar como elemento iluminador, pode falar da excelência
da vida cristã e ensiná-las a viver uma vida abundante centrada em Cristo.

Se alguém se diz crente, mas não age como sal e luz, então é mais provável
que seja apenas crente nominal. Tentar inverter as coisas, tentar ser
primeiro luz sem ser sal, ou seja, pregar sem viver, dá na mesma situação
que alguém falou a um certo “crente” nominal: “O que vives fala tão alto que
não consigo ouvir o que dizes”. Ser fiel a Jesus é que faz a verdadeira
diferença! 

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

Fonte: Via: PortalValeGospel.com

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