Uma operação
policial foi deflagrada em 3 de janeiro na região de São Paulo conhecida
como cracolândia, onde centenas de pessoas comercializavam e faziam uso
de drogas a céu aberto. A maioria dos dependentes que saiu da região
não tinha para onde ir.
Muitos, porém,
decidiram buscar abrigo na alameda Barão de Piracicaba, 509, local onde
funciona a Cristolândia, misto de igreja e centro comunitário, que
funciona naquele endereço há quase dois anos. O projeto é financiado
pela Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira.
“Estou correndo
do cachimbo [de crack] e dos homens. Aqui a polícia deixa a gente em
paz”, explica Daiane Soares, 26, uma das pessoas abrigadas ali. Ela diz
que está esperando uma vaga em uma clínica da missão para se tratar
junto com o namorado, Wesley, 20.
Depois dos
tumultos envolvendo a presença ostensiva da PM na região, a missão
Batista passou a funcionar 24 horas, em esquema de plantão. Sua proposta
é clara: fazer os usuários de drogas trocarem o “crack por Cristo”.
Desde que teve
início, o projeto encaminhou cerca de mil usuários para internação e
centros de formação evangélica. Mas nas duas últimas semanas, o número
de internações encaminhadas pela Cristolândia, bateu o recorde de 90. O
pastor Humberto Machado, 53, coordenador da missão, explica: “Fazíamos
uma média de 40 por mês. Já chegamos ao dobro disso em dez dias e vamos
abrir novas 200 vagas”.
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| Graças a Deus e aos Evangélicos, muitos estão sendo libertos. |
Na
última terça-feira, a Cristolândia passou por um teste de
credibilidade, quando uma ronda da PM tentou retirar da calçada vários
usuários de drogas. “Aqui é solo sagrado”, alertou o padre Júlio
Lancellotti, coordenador da Pastoral de Rua e que visita frequentemente a
missão batista. A PM recuou.
Os gastos da
Cristolândia são de aproximadamente R$ 70 mil por mês. O custo é
bancado por ofertas de igrejas Batistas de todo o país. Para atrair
usuários de crack para os cultos matutinos, são oferecidas refeições,
além de local para banho e roupas limpas. Ninguém
sai do local sem ouvir o evangelho. “Deus não criou você para ser um
verme na cracolândia”, prega o pastor Humberto, que é ex-usuário de
cocaína. Ele conta sua experiência para mostrar que todos os usuários
podem mudar. “Cheirava cocaína dia e noite, comia lixo, fui preso e
humilhado. Só via trevas”, relata durante um culto na cracolândia. Humberto
conta com uma grande equipe de voluntários. Vestindo camiseta amarela,
eles percorrem as ruas do centro de São Paulo em busca de usuários de
crack. Eles são os “Radicais”, missionários batistas na Cristolândia.
Os
missionários procuram conversar com os craqueiros e atraí-los aos
cultos. Muitos dos que aceitam o convite saem transformados. Hideraldo
Moacyr, 34, é um ex-morador de rua da Cracolândia que hoje veste sua
camiseta amarela de Radical.
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| Muitos já estão livres do crack |
Hideraldo nasceu
no país africano de Guiné-Bissau e veio estudar direito na Unip. Acabou
se envolvendo com drogas e morou na cracolândia por nove meses. Depois
de conhecr a missão, concordou em ser internado em uma clínica
evangélica e desde então está livre das drogas. Hoje, faz faculdade de
direito e também estuda teologia. Conta que além dele, mais seis colegas
estão se preparando para ser pastores.
Há outros 16
voluntários em treinamento para operar o milagre da multiplicação de
Cristolândias. Já estão funcionando unidades similares no Rio e em
Vitória. Em breve, abrirão as de Brasília, Recife e Belo Horizonte. Nos
últimos oito meses, o jornal Folha de São Paulo acompanhou de perto a
vida de dois usuários que trocaram a cracolândia pela Cristolândia. Gerson
Corrêa, 41, foi aceito no dormitório da missão Batista, exclusivo para
homens, em maio de 2011. Em dezembro foi para o Centro de Formação de
Vida Cristã, uma casa de retiro da missão batista na cidad de
Piratininga (370 km de São Paulo). Ex-presidiário e HIV positivo, Gê,
como gosta de ser chamado, ficou limpo seis meses e atuou como
voluntário.
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| Usuários orando em frente ao templo |
“A droga me
deixou doente, me fez perder o caráter, a liberdade, a vontade de viver,
a amizade e o amor da minha família e amigos, o crescimento dos meus
três filhos.”, lembra. “Fiquei dois anos e nove meses sem ver a minha
família.”
Embora tenha
tido uma recáida e ficado fora algum tempo, hoje a rotina de Gê é orar,
fazer estudos bíblicos, trabalhar na horta e na manutenção da chácara.
“O tratamento aqui é comida, muita conversa e Bíblia”, resume. “Não
estou mais sozinho”.
Edna Magali,
30, procurou a porta da missão e foi encaminhada para uma clínica
em Campos (RJ), onde ficou seis meses. “Não tive crise de abstinência de
droga, só de liberdade”, disse ela à reportagem da Folha. Em dezembro,
tornou-se voluntária na Cristolândia de Vitória (ES). Ficou 15 dias, mas
brigou com os companheiros e acabou voltando para a cracolândia. A
pesquisadora Zila Sanches, do Centro Brasileiro de Informações sobre
Drogas Psicotrópicas, questiona a opção da missão em não usar
medicamento na desintoxicação. Mas ela vê os pontos positivos da missão
Cristolândia. “Funciona para aqueles que já tenham uma crença e que
buscam por conta própria a ajuda da igreja.”
Fonte: Folha/ GospelPrime/ Adaptado pelo GospelNews
Via: PortalValeGospel.com
Via: PortalValeGospel.com





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